17 de out de 2011

1x0 Eu

É uma luta constante. A primeira palavra que veio a minha cabeça foi diária, mas ao usá-la daria a impressão errada de que o embate acontece, alguém sai vencedor e tudo se acalma por aquele dia. E não é isso. É uma batalha silenciosa que pode se alongar até o fechar dos olhos, sem ninguém perceber. E as cenas ainda continuam rodando na sua cabeça como um filme sem fim. Está em cada gesto, em cada palavra, em cada toque. E na falta de cada um deles também.

E eu já me cansei de perder essa luta, sabe? Eu não sei qual é o prêmio para o vencedor, mas como derrotado sei que se perde muito mais que aquele round. Vai-se a dignidade, o orgulho, todo seu bom senso e muito da sua sanidade. A sua tática é perfeita: o oponente pensa que tem a vantagem e vai deixando você ganhar espaço com suas investidas, que devagar e sempre vão o levando à lona sem ele nem perceber o nocaute iminente. No final das contas quem perdeu ainda se sente culpado pela derrota. E você sai ileso.

Mas eu já saquei qual é a tua. E não vou mais deixar você interferir assim na minha vida, levando minha paz, meu sono e tudo de bom que eu tenho em mim. Ainda que eu tenha que me aliar a antigos inimigos. O pacto com o diabo às vezes vale o preço a se pagar. Só queria deixar bem claro que eu estou disposta a vencer e não vou medir esforços para tal, portanto, traga suas melhores armas. E Ciúme, só fica o seguinte aviso: o placar atual é 1x0 eu.

5 de out de 2011

Oi, eu sou neurótica.

Sou uma pessoa neurótica. Resolvi aceitar essa realidade de tanto os que se intitulam meus amigos repetirem isso na minha cara. Gastei alguns minutos do meu tempo pensando em argumentos para comprovar que isso era mentira deslavada, mas acabei me convencendo. Sou neurótica mesmo. Mas em minha defesa, o mundo quer que eu seja assim.

Eu não sei como as pessoas viviam sem celular, Facebook, e-mail e etc. Imagino que bem mais tranquilas do que nós vivemos agora. Acontece o seguinte: tem mais celular que gente no mundo. Quase todo mundo tem pelo menos um. E a ideia é poder encontrar a pessoa a qualquer momento, em qualquer lugar. Mas isso nos fez esquecer que nem sempre queremos ser encontrados. Nos deixou mal acostumados mesmo... "Cadê fulano que não está online nem atende o telefone? Com certeza aconteceu alguma coisa!" Não. Às vezes o fulano só não tá a fim de atender o telefone. Ou está no motel.

E se já não bastasse aquela velha cobrança para você conseguir um namorado ou marido ou noivo, agora inventaram também o relacionamento enrolado. Como você chama alguém com quem tem um relacionamento enrolado? Ficante? Peguete? Fugueta e mete o pé? Todas as opções são ridículas. E quais exatamente são as regras sociais para conviver com um relacionamento enrolado? Você convida o fofuxo para aquela festa da empresa ou vai sozinha? Ganhou dois ingressos para o cinema: liga para o gato ou chama uma amiga? Ninguém sabe, nem adianta pedir ajuda para os universitários.

E claro, você não arruma nem um relacionamento enrolado se não frequentar uma academia. É pecado ser sedentário. Ser sedentário e comer carboidratos então, é tudo que a pessoa precisa fazer para merecer todo e qualquer mal que exista no mundo. Está gripado? É porque você só come porcarias. Bateu com o dedão na quina do sofá? Se você fosse mais flexível, isso não teria acontecido. Tomou um pé na bunda? Com esse corpinho, querida, agradeça por ter aparecido alguém disposto a ficar com você em primeiro lugar.

Antigamente, você diria que sua melhor amiga é sua mãe ou aquela amiguinha que você cultiva desde os anos de colégio. Cheguei a conclusão que minha melhor amiga é a Yasmin. É quem está comigo todos os dias, faça chuva ou faça sol. Quem vai comigo até nos piores programas de índio. E por quem eu faço tudo, mas qualquer coisa mesmo, para não desagradar e correr o risco de não a ter ao meu lado, nem por um mês que seja. Afinal, que outra amiga permite que você se divirta sem se preocupar com os próximos nove meses? E apesar de todos os pesares, ela nunca me chama de neurótica.

24 de set de 2011

Lie to me (ou Quer que eu conte a mentira e te faça feliz ou conte a verdade e te deixe chorando?)

Desde crianças aprendemos que dizer mentiras é feio e que devemos sempre falar a verdade. Quem dera as coisas fossem tão simplistas como aprendemos na infância. A vida vai te ensinando que não é bem assim que funciona. Parte de se tornar adulto é entender que nem sempre mentimos porque somos maus e que verdade nem sempre é prova de bondade.

A verdade dói e você pode usá-la para ferir alguém. Descobrir uma verdade mexe com as estruturas, abala os sentimentos existentes e faz surgir um monte de novos sentimentos. É um caos que às vezes não vale a pena. Tem coisa que não se conta, apenas porque não há por quê contar. Você vai magoar o outro apenas pelo egoísmo de ter a sua consciência limpa. E fazê-lo sentir todo tipo de sentimento ruim, sem necessidade.

Não que você vá mentir deliberadamente e se tornar o maior dos filhos da puta. Mas todo mundo erra. Todo mundo tem coisas sobre si mesmo que só conta para o terapeuta. Ou não conta nem para o terapeuta. Essa história de que quem nos ama vai nos aceitar e amar incondicionalmente independente de qualquer coisa é só história, né?

É claro que, quando se trata de ficar sabendo a verdade, nós queremos saber tim tim por tim tim. "Eu quero saber toda a verdade, por mais que doa". E essa dor vai te trazer o quê? Não vai mudar o que foi feito. Então, tem vezes que não vale a pena saber. Às vezes uma mentira bem contada tem o seu valor. Até porque o problema da mentira é descobrir a verdade depois.

Eu minto o tempo todo. Para mim, para quem eu não gosto, mas principalmente para quem eu gosto. Minto para não magoar, para ter menos problemas, por comodismo. E não me considero uma pessoa ruim por isso. Eu tento ser justa e sensata: as pessoas mentem para mim também. E omissão também é mentira, não venha com essa não. Me livro da culpa, tento não guardar rancor e principalmente estou parando de procurar as verdades que não me contam. De repente é melhor não ficar sabendo mesmo.

20 de set de 2011

Amor demais

Me arrependi no segundo em que desliguei o telefone. Queria ter dito que te amo. Mas não disse. Digo que foi um arrependimento, porque o não dizer foi uma ação pensada. E repensada. Não é que não consegui dizer, eu apenas não quis dizer. Achei melhor me manter em segurança. Esses sentimentos fortes demais que não podem ser demonstrados cedo demais podem complicar as coisas demais e a gente tem esse talento de fazer tudo complicado. À parte isso, eu nem sei se pra gente ainda é cedo ou tarde. Sei que senti amor demais, que de tanto queria sair em palavras e te abraçar do outro lado da linha. Amor gostoso, bom de sentir e bom de saber sentido.

Não queria gritar aos quatro ventos, colocar em outdoor ou escrever uma música sobre isso para disparar nas paradas musicais. A vontade era de dizer baixinho, só pra verbalizar rapidamente o que venho te dizendo aos beijos. Só pra você saber o tamanho do prejuízo que está me causando. E o quanto eu tenho gostado disso. Amor sempre tira mais do que dá, mas você entrega o que é seu de bom grado.

Tem as contas, o trabalho, as mágoas, família, milhões de detalhes que precisam ser acertados e todos aqueles detalhes que não tem acerto. Mas, naquele segundo, não existia mais nada no mundo. Só eu, você e o amor. Me arrependi no segundo em que desliguei o telefone. Com alguns minutos de atraso: Eu te amo.

5 de set de 2011

Not anymore

Eu não te amo mais. É uma coisa feia de se dizer, eu sei, mas eu preciso que você saiba. Eu não te amo mais. Por tanto tempo eu desejei intensamente por esse momento e ele chegou com uma paz inexplicável. Um dia eu simplesmente acordei e soube: Eu não te amo mais. Acho que realmente devemos ter cuidado com o que desejamos, porque agora que eu não te amo mais, eu queria te amar de novo. O amor se torna um costume, um porto seguro, aquele casaquinho que temos a mão para o caso de bater um vento frio.

Eu não te amo mais e isso me dá medo. Eu não te amo mais e agora eu não sei o que acontece. Eu não te amo mais e eu quero gritar isso na sua cara, só pra ver o que você vai fazer. Eu espero que você não me ame mais. Assim, cada um segue pro seu lado e vamos ver no que dá.  Mas eu espero que você me ame ainda, só um pouquinho, pra doer lá no fundo do seu coração quando você me ouvir dizer que eu não te amo mais. Mas não me entenda mal, eu espero que você seja feliz. E que ame outra vez na vida. Porque eu não te amo mais e eu não assim tão egoísta.

Eu não te amo mais, mas a gente tentou. Eu tentei. Você deve ter tentado. Eu amei. E espero que você tenha amado. Obrigada por tudo que você me ensinou, pelo que deixou comigo, pelo que levou de mim e pelo carinho. Obrigada, mas não, eu não te amo mais.

25 de ago de 2011

Paixão


As pessoas que, como eu, são movidas pela paixão compreendem que a vida vivida fora dos extremos é como estar ligado no automático. A paixão é o sopro, o estímulo, o elo, o que nos faz ir além, o que nos tira da cama mesmo numa manhã cinzenta, o sorriso, o brilho nos olhos, a garra para lutar acima de qualquer porém, é o que nos torna únicos.

Ser apaixonado é ser efêmero e como um bom exemplar me pego constantemente na dúvida de gostar de muitas coisas ou no final não gostar realmente de nenhuma delas, e sempre acabo por tomar a mesma resposta: uma alternativa não anula a outra. A efemeridade tem sua beleza e certamente suas vantagens. Tantas outras pessoas preferem a seguridade de uma vida metódica e prática, mas quem já se acostumou à excitação proveniente de um bom frio na barriga sabe que não há nada melhor do que o incerto. Ah! Que sensação mágica! O estômago se retrai e afunda nas suas entranhas só de imaginar o que te aguarda.

Ser apaixonado é estar acima da razão, de tudo e de todos e agarrar com unhas e dentes aquilo que te faz vibrar. É lutar por um futuro desconhecido quando teimam em te convencer a ficar com o mais simples, não por capricho, mas pela conquista. Quem é movido pela paixão é movido pela conquista.

18 de ago de 2011

Banco de reservas


Às vezes me acho muito cética quanto às pessoas e os sentimentos. Acho que as pessoas nunca serão melhores do que são hoje, porque os erros começam com elas mesmas e elas nem reparam isso, ou simplesmente são humanas demais para reconhecer e fazer alguma coisa por isso. Tudo é muito emocionalizado e pouco racionalizado. Uma coisa que sempre achei muito ambiciosa das pessoas é achar que elas são insubstituíveis. É um carinho para o ego, quase uma necessidade para que continuemos a viver felizes e crentes quanto à vida. Mas, se você deixar a emoção de lado, a verdade é que somos substituíveis.

Amigos, namorados, colegas de trabalho, companheiros... cada um é único em seu jeito de ser, suas qualidades e defeitos, mas ninguém é tão especial que você não vá encontrar outra pessoa tão boa quanto aquela que te deixou, que você deixou ou que a vida distanciou da forma que for. Ninguém é melhor que todos os outros sete bilhões de habitantes da Terra, a ponto de ser impossível achar alguém que ocupe aquela posição tão bem quanto seu antecessor. Vai sempre existir um carinho, uma saudade, um aperto no peito por aquela pessoa que não faz mais parte de você, mas terão tantas outras do seu lado pra te fazer rir e chorar e continuar vivendo. As pessoas vêm, vão e você continua vivendo.

Pode parecer cético, mas essa visão me ajuda a ser uma pessoa melhor com aqueles que eu amo e não quero perder. Porque eu sei que eu sou substituível e eles são substituíveis, mas eu espero continuar na vida deles e que eles continuem na minha. Dou o melhor de mim para que eles não queiram ir embora, mas se forem, levem de mim as melhores lembranças possíveis!

11 de ago de 2011

Querer sempre quem só te quer de vez em quando


Estou fazendo merda. Eu sei que estou fazendo merda. Eu estou vendo que eu estou fazendo merda, mas eu vou continuar fazendo mesmo assim. Não que eu não consiga parar, eu apenas não quero. Talvez você seja aquele prazer infantil de fazer o que se quer, ignorando totalmente as consequências. Mas é até difícil acreditar que você é um erro quando lembro daquele sorriso que dá vontade de sorrir junto que você tem. Esse sorriso que não me sai da cabeça nem com o tanto de tempo que não renovo minhas memórias de você. E que não me falha a lembrança nem quando todas as lembranças parecem molhadas e perdidas no fundo do copo.

Eu me prometi que não escreveria sobre você. Uma forma de provar que você não é importante o suficiente. Porque no momento em que essas palavras estão sendo escritas, estou afirmando que você é especial. E que você ganhou até o meu lado racional, aquele que é capaz de juntar palavras em uma frase e frases em um texto, tudo isso pra te dizer que você é lindo e eu não paro de pensar em você sequer por um dia.

E que quando eu me esforço para pensar com a parte de cima do corpo, sei que estou errando. Mas o que não me contaram é que errar pode ser tão gostoso que eu nunca pensaria em fazer a coisa certa outra vez na vida. E pra ver esse teu sorriso de novo eu erraria quantas vezes fosse preciso. Errar só dói quando você pára, então é só não parar nunca. Eu vou sendo o teu erro, você vai sendo o meu e ainda que esse desacerto nunca se acerte, é errando que se aprende. Ou pelo menos, é errando que se vive.

8 de ago de 2011

Coadjuvante

Sempre gostei mais de Rony Weasley que do Harry Potter. Entre Ross e Joey, meu preferido era o Chandler. Aos poucos fui enjoando de Edward Cullen e torcendo para Bella dar um pé na bunda de vampiro e lobisomem e ficar é sozinha.

Os personagens principais nunca tiveram graça pra mim. Meu coração sempre foi roubado pelos coadjuvantes. O amigo nerd. O cara engraçado que não pega ninguém. O mais desastrado (e zuado) de todos. Aquele que, quase sem você sentir, muda todo o rumo da história e a torna muito mais que uma história qualquer.

É muito fácil amar o protagonista, e eu nunca gostei do óbvio. Sempre busquei muito mais do que o brilho dos holofotes. Eu gosto é do defeito. Aquilo que fica escondido por debaixo da maquiagem. O que não é mostrado no filme, e só entra nas cenas de bastidores. A espontaneidade do momento, não o que foi ensaiado para aparecer na frente da câmera.

Eu sou ganha nos detalhes, na diferença, naquele defeito do tipo sempre-quis-mudar-isso-em-mim. Sempre que eu me apaixono sei apontar exatamente quais características únicas me fizeram ficar vidrada nele, e não em nenhum outro. O nariz torto que dá vontade de passar o dedo na curvinha, o sorriso que dá vontade de sorrir junto, a vontade de rir que dá só de ver aquela cara que ele tem... Beleza, inteligência, admiração, nada disso me conquista. Isso é o que me faz querer ficar e nunca mais sair.

Nunca desejei uma dessas histórias de amor que vão mudando tudo de lugar, invadindo toda sua vida e deixando tudo de pernas pro ar. Nunca vi beleza em amores que demoram anos pra se acertar e em reencontros que levam anos pra acontecer. Nunca quis nada gradioso o suficiente para ser inspiração de um filme de amor. Sempre gostei mais daquele amor manso, que vai te conquistando sem você deixar e ganhando cada pedacinho do seu coração sem você notar, e portanto, sem que seja necessário você permitir. Gosto de quem rouba a cena. Quem tem aquele dom de transformar algo comum em único. Quero alguém que venha de cara limpa e sem roteiro pronto para encarar uma temporada de stand-up no meu coração. E me faça dar gargalhadas e aplaudir de pé no final.