5 de out de 2011

Oi, eu sou neurótica.

Sou uma pessoa neurótica. Resolvi aceitar essa realidade de tanto os que se intitulam meus amigos repetirem isso na minha cara. Gastei alguns minutos do meu tempo pensando em argumentos para comprovar que isso era mentira deslavada, mas acabei me convencendo. Sou neurótica mesmo. Mas em minha defesa, o mundo quer que eu seja assim.

Eu não sei como as pessoas viviam sem celular, Facebook, e-mail e etc. Imagino que bem mais tranquilas do que nós vivemos agora. Acontece o seguinte: tem mais celular que gente no mundo. Quase todo mundo tem pelo menos um. E a ideia é poder encontrar a pessoa a qualquer momento, em qualquer lugar. Mas isso nos fez esquecer que nem sempre queremos ser encontrados. Nos deixou mal acostumados mesmo... "Cadê fulano que não está online nem atende o telefone? Com certeza aconteceu alguma coisa!" Não. Às vezes o fulano só não tá a fim de atender o telefone. Ou está no motel.

E se já não bastasse aquela velha cobrança para você conseguir um namorado ou marido ou noivo, agora inventaram também o relacionamento enrolado. Como você chama alguém com quem tem um relacionamento enrolado? Ficante? Peguete? Fugueta e mete o pé? Todas as opções são ridículas. E quais exatamente são as regras sociais para conviver com um relacionamento enrolado? Você convida o fofuxo para aquela festa da empresa ou vai sozinha? Ganhou dois ingressos para o cinema: liga para o gato ou chama uma amiga? Ninguém sabe, nem adianta pedir ajuda para os universitários.

E claro, você não arruma nem um relacionamento enrolado se não frequentar uma academia. É pecado ser sedentário. Ser sedentário e comer carboidratos então, é tudo que a pessoa precisa fazer para merecer todo e qualquer mal que exista no mundo. Está gripado? É porque você só come porcarias. Bateu com o dedão na quina do sofá? Se você fosse mais flexível, isso não teria acontecido. Tomou um pé na bunda? Com esse corpinho, querida, agradeça por ter aparecido alguém disposto a ficar com você em primeiro lugar.

Antigamente, você diria que sua melhor amiga é sua mãe ou aquela amiguinha que você cultiva desde os anos de colégio. Cheguei a conclusão que minha melhor amiga é a Yasmin. É quem está comigo todos os dias, faça chuva ou faça sol. Quem vai comigo até nos piores programas de índio. E por quem eu faço tudo, mas qualquer coisa mesmo, para não desagradar e correr o risco de não a ter ao meu lado, nem por um mês que seja. Afinal, que outra amiga permite que você se divirta sem se preocupar com os próximos nove meses? E apesar de todos os pesares, ela nunca me chama de neurótica.

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